fbpx
como o bbb se tornou o maior reality da tv brasileira

Como o BBB se tornou o maior reality da TV brasileira?

Sumário

Em 2020, o BBB chegava à sua 20ª edição. Longevidade inigualável para um reality na TV brasileira, mas que sim, atracava em sua emblemática 20ª edição sob uma trajetória de altos e baixos. Edições marcantes e outras que você nem lembra dos participantes.

2020 chegou então com uma única missão, para novos tempos: reformulação, mudar o jogo. Àqueles que acreditavam que a 20ª edição seria a última do BBB no Brasil, foi exatamente o contrário: significou renascimento. 

Isso porque as dinâmicas de interação com o jogo passaram a ter foco na internet. Com a inclusão de famosos e o mundo digital, um programa que possui um orçamento menor ao de uma novela, de repente é a fórmula mais rentável da programação da Globo.

Afinal, como o BBB se tornou o maior reality da TV brasileira?

A história do BBB

O formato Big Brother foi desenvolvido por Johannes Hendrikus Hubert de Mol Jr., o John de Mol Jr., em 1999, na Holanda. A inspiração vem da obra “1984” de George Orwell.

O bilionário da mídia holandês é famoso por ser o criador de vários outros formatos que já ganharam versões brasileiras, como o Hipertensão, The Voice Brasil e Topa ou Não Topa. John é um dos principais nomes da Endemol, produtora responsável pela distribuição do Big Brother e muitos outros modelos de reality pelo mundo. 

Em 16 de setembro de 1999, a primeira edição do Big Brother no mundo foi exibida pelo canal holandês Veronica TV.  O formato foi tão bem nos quesitos audiência e publicidade, que no ano seguinte outros 19 países entraram em contato com a emissora para comprarem os direitos junto a Endemol para a exibição de versões fora dos Países Baixos. O formato só desembarcou no Brasil em 29 de janeiro de 2002.

O BBB1 fez a sua estreia em 2002, após enorme sucesso da Casa dos Artistas, exibida pelo SBT, entre 2001 e 2004.  A Globo comprou os direitos autorais da Endemol e passou a produzir o programa em uma tentativa de barrar o sucesso da concorrente.

Antes disso, a Endemol entrou em contato com o SBT para que o formato fosse exibido no Brasil pela emissora. Silvio Santos e a alta cúpula do canal recusaram a oferta e produziram o próprio reality show, que durante todos os anos de exibição enfrentou ações judiciais por direitos autorais.

Após o BBB1, a Globo entrou na Justiça do Estado de São Paulo para barrar a exibição da Casa dos Artistas, que chegou a ser suspensa do ar por dois dias, mas retornou na sequência após o SBT ganhar uma causa temporária. A Globo continuou insistindo no processo e recorreu a recursos.

O SBT desistiu de produzir a Casa dos Artistas em 2004, após novas acusações de plágio e ameaças de processo. Em 2015, o Superior Tribunal de Justiça de Amsterdã considerou o programa produzido pela emissora brasileira como plágio do Big Brother e condenou o canal a pagar multa de US$ 100 mil por cada dia que o programa fosse ao ar após a condenação.

Apesar de ter estreado em meio à polêmicas com a concorrente direta, o Big Brother Brasil 1 foi sucesso de audiência. Isso porque, diferente da Casa dos Artistas, que confinava pessoas famosas, o reality show da Endemol apostou em pessoas anônimas, com potencial de se tornarem celebridades.

A pandemia: o momento em que o BBB vira o futebol do brasileiro

As últimas edições, 20 e 21, proporcionaram ao programa um sentimento de identificação ainda maior, em grande parte por sua produção coincidir com o contexto pandemia.

As pessoas passaram a se enxergar nas situações enfrentadas pelos participantes, confinados em casa e enfrentando grandes momentos de tédio e conflito. Além disso, toda a grade de programação televisiva havia sido congelada.

O futebol e a novela pararam. E o BBB não. O que iria entreter o povo brasileiro, que encontrava agora ainda no reality mais um ponto de identificação, em um momento em que ninguém tinha previsão de quando a situação iria se resolver?

Pense nos estresses do convívio exacerbado com as pessoas que tivemos que passar o confinamento. 

É exatamente isso que observamos reproduzido no BBB: uma casa com inicialmente vinte pessoas de personalidades e ocupações sociais completamente diferentes, colocados em situações desconfortáveis e submetidas ao tédio, pelo fato das únicas atividades serem as propostas e autorizadas pela produção do programa.

Ponto de virada: a interação com o público através do digital

O BBB vira uma chavinha quando começa a interagir com o público através do digital. E quando os participantes começam a trabalhar com o digital. Vira fenômeno de torcida. Olha o case da Juliette, campeã do BBB21.

Juliette soube como poucos aliar autenticidade com o poder da mobilização nas redes sociais. Esse é o coração, mas existem elementos que compõem a narrativa da campeã: representatividade, a jornada do herói, coerência.

A paraibana já tem mais audiência do que Ludmilla, Xuxa Meneghel, Jair Bolsonaro, Lula, João Dória e Ciro Gomes. Antes do programa, seu perfil no Instagram, por exemplo, tinha pouco mais de 3 mil seguidores. 

Um cálculo feito pela Microsoft News, considerando uma publicação paga no valor de R$ 120.000, uma média oferecida para influenciadores de grande porte, caso a paraibana faça um post pago por dia, seu faturamento mensal poderia chegar a cerca de R$ 3,5 milhões. Em um ano, os lucros somente com o Instagram ultrapassariam os R$ 43 milhões, colocando em um patamar de empresa de médio porte.

Ao entrar no BBB, Juliette escolheu algumas pessoas de confiança como administradores de seu perfil. Contudo, precisaram contratar mais, entre redatores, designers, editores e produtores de conteúdo, que se revezam entre todas as plataformas que a participante está presente durante 24 horas por dia. Ter uma equipe competente te faz ter uma resposta mais rápida, adaptando a linguagem da rede social de maneira certeira ao seu público.

Assim como um produto ou serviço, Juliette se posiciona como uma marca forte. Para construir sua imagem, adotou cactos e elementos nordestinos: tanto que seu fandom é denominado cactos.

Tanto seu conteúdo nas redes sociais, quanto na sua personalidade, Juliette definiu o arquétipo que chamamos de “Bobo da Corte”: divertida, engraçada, mostra suas “gaiatices”, o fato de falar demais, de ser estabanada, suas vulnerabilidades, deixam-na ser “gente como a gente”.

Conversamos com Teca Falcão, Head of Social Media dos perfis da Juliette:

O Twitter é uma rede para narrar 24 horas, acompanhar tudo. O Instagram também. O TikTok é diferente, é uma plataforma de dublagem, de música, de humor. A equipe de Juliette tem um alcance imenso com arquivos de vídeos de tutoriais de maquiagem e de pérolas, com várias falas engraçadas.

Juliette Freire não deixou conteúdos prontos para serem postados em suas redes sociais, então a equipe precisou recorrer aos arquivos do Instagram para construir a estratégia de mídia que fosse em encontro com a personalidade da maquiadora.

Muito além do que puxar mutirões ou repostar vídeos de dentro da casa, há uma comunicação que fala com o público externo, muito além do que o jogo pede. Se Juliette canta uma música e algum seguidor a posta cantando, o perfil reposta. Se alguém compõe o look igual ao da participante, logo ganha visibilidade nos Stories. 

Cada artista que foi se identificando com a big sister também colaborou para a alta projeção que ela ganhou. Cada fala dela dentro da casa, era corroborada com alguma foto antiga ou vídeo que explicasse o que ela dizia. Alimentar um feed de maneira relevante e constante não foi papo para amador: ali, além de especialistas, são utilizadas ferramentas de Marketing Digital que auxiliaram a própria escolha de conteúdo, estudando muito bem o SEO. 

Não dá para comentar o sucesso de Juliette Freire nas redes sociais sem abordar a virada que foi para o jogo externo quando Manu Gavassi, do BBB 20, deixou pronta uma série de conteúdo em storytelling antes de entrar em confinamento. 

Até então, todo conteúdo de Marketing Digital era passivo do que viria da TV. Criar uma linguagem de interatividade e atualização constante foi inovador. A Manu dentro do BBB e a Manu dos vídeos diários eram a mesma pessoa. A atitude coerente e o carisma – uma fábrica de memes – foi essencial para que ela saltasse de 4,4 milhões de seguidores para 13,2 milhões. 

Em 2021, vimos alguns participantes seguirem a mesma linha de raciocínio, mas nenhum deles trouxe cases tão fortes quanto a paraibana. A evolução do conteúdo digital de Juliette trouxe fatores muito além do utilizado por Manu: apelo pela história de vida, regionalidade e visão de jogo. O que o público via de casa, coincidiu com o que Juliette lia dos outros participantes dentro do BBB. Nessa conexão, bastou ao social media repercutir e puxar opiniões. 

Recorde atrás de recorde: marcas, inserções no digital, conteúdo multiplataforma, interação com o público

Embora o programa tenha a tradição de atrair anualmente marcas que aproveitam a audiência para divulgar seus produtos, a edição de 2020 conseguiu números recordes. De acordo com a Globo, 24 marcas diferentes passaram pela casa que serve de cenário para o reality show. 

O recorde de faturamento publicitário, até então, pertencia ao BBB 19, que contou com a participação de 18 anunciantes. Essas empresas patrocinaram provas, festas e realizaram ações com os participantes, que ganharam visibilidade na TV aberta, no Multishow e nas plataformas digitais da Globo, como o Globoplay.

O BBB20 entrou para o Guinness World Records como “A maior quantidade de votos do público conseguidos por um programa de televisão”, marca que antes pertencia ao talent show americano American Idol (Ídolos, aqui no Brasil). Na ocasião, Manu Gavassi, Felipe Prior e Mari Gonzelez se enfrentaram e juntos receberam mais de 1 bilhão e meio de votos.

O BBB21, embora com um menor número de patrocinadores em relação ao BBB20, bateu todos os números alinhados com a estratégia de reformulação e foco no digital. Foram realizadas 196 ações de conteúdo de 22 anunciantes nos canais lineares da Globo, recorde de todas as edições do programa. Já no digital, foram 537 ações entre conteúdos patrocinados na página do BBB no Gshow e ativações nas redes sociais oficiais do programa.

O reality não chamou somente a atenção das marcas, mas do público também. Segundo dados do Painel Nacional de Televisão (PNT), o alcance médio diário do programa foi de 39,8 milhões de pessoas, superando a edição completa do BBB20 em 2,9 milhões de pessoas. 

A temporada também quebrou duas vezes o recorde de maior número de votos por minuto de toda a história do reality. O primeiro paredão de Carla Diaz, no dia 23 de março, computou mais de 2,9 milhões de votos por minuto, e o que eliminou Arthur, em 27 de abril, chegou a computar 3,6 milhões de votos por minuto.

Ao longo do programa, foram mais de 4.557.360 usuários únicos comentando sobre o reality no Twitter. Além disso, 4.078 termos únicos relacionados ao reality ficaram entre os assuntos mais comentados, os trending topics, número que é 8% maior que o da edição de 2020.

Para a atual edição, o BBB22, Americanas, Avon e PicPay adquiriram as cotas Big, a mais valiosa do projeto comercial, que prevê a inserção em todas as janelas de distribuição do programa. Já C&A, Heineken (com Amstel), P&G e Seara adquiriram as cotas Camarote; e Above, Hypera Pharma (com Engov After, Neosaldina e Vitasay), QuintoAndar e McDonald’s as cotas Brother, que contemplam exibição na TV aberta, Multishow e mídia digital, com um número reduzido de inserções.

Uma fórmula que já demonstrou cansaço, mas parece soar cada vez mais como um tiro certeiro. 

%d blogueiros gostam disto: