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FSindica: você conhece as startups de impacto social brasileiras?

Sumário

Nelson Mandela descreve inspiração como “homens e mulheres que lutam contra a supressão da voz humana, que combatem a iliteracia e a ignorância. Alguns são conhecidos, outros não. Essas são as pessoas que inspiram”.

Para nós do Foras de Série, inspiração surge com a espontaneidade e eficiência de uma lâmpada sendo acesa. No fim, o sentido está na própria palavra: inspira+ação. Inspirar uma ação. E sempre esteve no nosso DNA pegar histórias que inspiram histórias.

Ao longo do tempo, de diferentes maneiras. Com uma entrevista com um chef de cozinha, com um mentor do mercado financeiro, ou com um professor de música de escola pública. Veio a pandemia e o desafio de nos adaptar. De todos nos adaptarmos. Principalmente, de nos ajudarmos. De usarmos as ferramentas que temos em mãos para promover aquilo que acreditamos que faz a diferença.

As startups, por serem empresas jovens e que estão tentando validar seus modelos de negócios, navegam por águas ainda mais desconhecidas. E não só por isso merecem atenção. Merecem, principalmente, por seu viés altamente inovador e com foco no cliente.

E na sua relação com o empreendedorismo, com causas. Empreender é ser autônomo e dedicado o suficiente para assumir um risco e bancá-lo. Isso porque não diz respeito apenas sobre os negócios. É necessário ampliar o conceito de empreendedorismo para além do negócio próprio e usá-lo como uma ferramenta que gere valor para a sociedade.

Começamos com uma ação chamada #CompreDoPequeno, em que costumávamos divulgar pequenos negócios e empreendedores com soluções criativas, que precisavam sobretudo de uma força para segurar as pontas nesses momentos tão incertos.

Inspirar, no momento em que a gente não podia estar ali perto para provocar uma troca, uma conversa sincera, acabou se transformando em formatos de ajudar com serviço. De dividir, justamente, histórias que inspiram histórias, para ajudar a todo mundo segurar a onda e continuarem a construir suas histórias. Mesmo nessa loucura toda.

A causa nos inspirou e entendemos que um recorte muito interessante desse tema são as startups de impacto social. Fizemos um post sobre isso, no auge do vertiginoso 2020:

Gostamos tanto do que descobrimos, que fomos além e fizemos também um vídeo:

O blog por aqui é novo – e por que não pegar uma bandeira que tanto nos inspira para explorar um novo formato e poder bater um papo com um pouco mais de profundidade?

Pensando nisso, separamos 6 startups de impacto social brasileiras para você conhecer e, principalmente, apoiar! Confira!

Quais são as startups de impacto social brasileiras?

Favelar

A Favelar oferece reformas e assistência técnica a preços populares para quem vive em comunidades do Rio de Janeiro. A empresa já atendeu mais de 160 pessoas em locais como Cidade de Deus, Morro Dona Marta e comunidade da Chatuba.

Idealizado em 2012, o empreendimento tem o objetivo de democratizar o acesso a planejamentos arquitetônicos de qualidade. A primeira roupagem do Favelar foi apenas no ambiente digital, mas o acesso à internet banda larga nas periferias ainda era limitado – e isso afastava seu público-alvo. Começou então a botar a mão na massa e fazer a coisa presencial.

O impacto ambiental que a construção civil causa foi uma das preocupações que a startup teve conforme o projeto foi evoluindo. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), 40% do consumo global de energia é provenientes de edificações, por exemplo. A organização do projeto percebeu ainda que alguns processos construtivos seriam prejudiciais. Por isso, para se adaptar à realidade da comunidade sem encarecer o serviço, a startup usa tinta à base de água e madeira de reflorestamento – tudo isso é encontrado com parceiros locais.

No planejamento, foram ainda organizadas técnicas que geram menos impacto, como evitar a demolição. Um dos pontos de atenção é a gestão de resíduos. A maioria das comunidades tem problemas com os descartes irregulares de resto de materiais. Então, a proposta foi diminuir de alguma forma esse impacto negativo e evitar gerar mais entulho para a região.

Camaleao.co

A Camaleao.co existe para te ajudar a se conectar com a comunidade LGBT+ e assim levar mais diversidade para a sua empresa.

A melhor forma de você começar esse processo é se conectando com quem está desenvolvendo iniciativas para alavancar a presença LGBT+ dentro das companhias, sempre, claro, pensando em ações que foquem em empatia e respeito pelo que as pessoas são.

Não importa o setor da sua indústria, se ela é grande ou pequena, você pode começar, aos poucos, levando diversidade LGBT+ ao proporcionar que essa comunidade participe de seus processos seletivos.

A startup faz a ponte entre a empresa e uma comunidade de talentos, além de oferecer consultorias e aplicações de processos necessários para que as suas iniciativas se tornem mais inclusivas.

Entre suas soluções: processo de hunting voltado para conectar as suas oportunidades com um banco de talentos inclusivo; consultoria de recrutamento focado em diversidade LGBT+; palestras sobre diversidade LGBT+; treinamentos para várias áreas da sua empresa serem inclusivas.

GoFriendly

Destinada principalmente a apoiar o setor de serviços, a GoFriendly é uma startup que celebra e promove a diversidade e inclusão em estabelecimentos comerciais, e funciona de forma colaborativa com esses negócios.

Seu produto busca conectar bares, cafés, restaurantes e outros estabelecimentos e serviços com pessoas LGBTQIA+ que buscam lugares diversos, inclusivos e seguros.

Isso tudo depois de um rigoroso processo de curadoria dos estabelecimentos, qualificação do negócio e posterior certificação.

TODXS

O app TODXS permite ao usuário fazer denúncias de casos de homofobia, violência contra LGBTQIA+ e outros tipos de discriminação. 

Segundo dados do Grupo Gay da Bahia, há um novo homicídio de pessoas LGBT+ no Brasil a cada 29 horas. Já a União Nacional LGBT aponta que a expectativa de vida de transsexuais e travestis no Brasil é de 35 anos. Ambos os dados estão disponíveis no site da TODXS.

Com dados como esses em mãos, startups de impacto social como essa são capazes de promover ações efetivas em âmbito da comunidade, do governo e até com parcerias com empresas privadas.

A plataforma consegue mapear as denúncias quase em todo país, colaborar com políticas públicas e ainda tornar mais acessíveis leis para que a comunidade reconheça seus direitos e se sinta mais segura em reivindicá-los.

Preta Hub

O Preta Hub é um instituto dedicado a fomentar o empreendedorismo negro a partir de diferentes iniciativas junto à população e aos investidores. “O PretaHub é o resultado de dezoito anos de trabalho do Instituto Feira Preta no mapeamento, capacitação técnica e criativa, aceleração e incubação do empreendedorismo negro no Brasil. É um hub de inventividade, criatividade e tendência pretas”, afirma Adriana Barbosa, fundadora da Feira Preta e presidente do PretaHub.

Às organizações que desejam investir no tema, a empreendedora recomenda o acesso aos dados da pesquisa A Voz e a Vez – Diversidade no Mercado de Consumo e Empreendedorismo, realizada pelo Instituto Locomotiva com apoio do Itaú a pedido do Instituto Feira Preta.

O estudo ouviu proprietários de empresas e empreendedores que fazem parte da Feira Preta e reuniu o material com dados públicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além da base de dados do próprio instituto de pesquisa.

A pesquisa mostra que, representando 54% da população brasileira, as pessoas negras movimentam uma renda própria de R$ 1,7 trilhão por ano. Cerca de 14 milhões são empreendedores (29% da população negra), que movimentam R$ 359 bilhões em renda própria por ano. 

Se formassem um país, este seria o 17º em consumo no mundo e 11º em população. Mesmo assim, a média salarial de um empreendedor negro (R$ 1.420) equivale à metade da média de remuneração de um empreendedor branco (R$ 2.827). A maioria (39%) está na faixa dos 35 a 49 anos e 53% têm o Ensino Fundamental completo. 82% não têm Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e 57% diz sofrer preconceito na hora de abrir seu próprio negócio no Brasil.

O estudo também constatou que, apesar de ter uma grande representatividade entre produtores e consumidores, a população negra sente o racismo presente nas relações institucionais e não se identifica com a comunicação. Mais de 90% das campanhas têm protagonistas brancos e 72% dos consumidores negros consideram que as pessoas que aparecem na publicidade são muito diferentes deles. Dos entrevistados, 82% dizem que gostariam de ser mais ouvidos pelas empresas.

Startups de impacto social como essa atuam normalmente em diversos pilares. A Preta Hub trabalha com criação, produção, distribuição e consumo do mercado de produtos e serviços voltados à estética e cultura negra, realizando um trabalho de articulação entre a oferta e a demanda.

Para isso, o negócio desenvolve quatro programas principais:

  • Afrolab – Programa de apoio, promoção e impulsionamento do afroempreendedorismo que oferta conhecimento e capacitação técnica e criativa, com foco em inovação, inventividade e autoconhecimento. Em sua primeira edição, em 2018, capacitou mais de 250 empreendedores em seis estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Maceió). Em 2019, leva para nove estados brasileiros o Afrolab Para Elas, voltado exclusivamente para mulheres negras empreendedoras.
  • AfroHub – Programa de aceleração de empreendimentos negros com foco na decodificação dos códigos da internet para o uso das redes sociais de forma estratégica para o crescimento dos negócios. É idealizado em parceria com Afrobusiness e Diáspora.Black com apoio do Facebook. Em 2018, capacitou mais de mil empreendedores em quatro estados (São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo). Em 2019, o projeto chegará a mais estados.
  • Conversando a Gente Se Aprende – Diálogos criativos e propositivos com instituições privadas, públicas e marcas para sensibilizar e promover a cultura da diversidade racial dentro da organização a partir de diálogos qualificados, abordagem humana e centrada na qualidade das relações, autoliderança, corresponsabilidade e ações práticas. Metodologia própria criada e realizada em parceria com a Mandacaru Consultoria. Já foi desenvolvido junto a empresas como Netflix, Facebook, Google, Bloomberg e Museu de Arte de São Paulo (MASP).
  • Festival Pretas Potências – A primeira edição aconteceu no dia 13 de maio de 2018. A data, marcada oficialmente pelo dia da abolição da escravidão, que tem sido ressignificada pelos movimentos negros como o dia da abolição inconclusa, ganhou programação focada na inovação, criatividade e resistência negra. Os coletivos Alma Preta e Coletivo Abebé foram parceiros na realização do evento, que teve apoio do Centro Cultural São Paulo, Secretaria Municipal de Cultura e Prefeitura Municipal de São Paulo. Sob o tema “Passado Presente e Futuro”, a edição de 2019 trouxe os jovens ao epicentro da discussão sobre negritude, herança e diáspora.
  • Fundo ÉdiTodos – Fundo social que reúne doze entidades entre organizações da sociedade civil, aceleradoras e empresas sociais. É fruto do trabalho iniciado no âmbito da Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto – na ocasião Força Tarefa de Finanças Sociais -, liderado pelo Instituto de Cidadania Empresarial (ICE). A SITAWI Finanças do Bem faz a gestão dos recursos captados a partir de doações.

Movimento Black Money

O Movimento Black Money (MBM) tem a missão de romper o contrassenso cruel entre o potencial de consumo e a falta de autonomia econômica da comunidade negra. A ideia é promover educação, empreendedorismo e inclusão financeira.

Sua idealizadora, Nina Silva, foi eleita pela revista Forbes uma das mulheres mais poderosas do Brasil e uma das 100 negras, com menos de 40 anos, mais influentes do mundo, no ranking da Most Influential People of Africa Descent, ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).

“Desde consultora até gestora de projetos e gerente de portfólio, eu sempre questionava o que eu deixaria de legado além da minha carreira. O movimento veio como uma resposta à busca do meu propósito”, já chegou a declarar ao Metrópoles.

Seu objetivo é gerar uma cadeia produtiva própria, de fornecimento até consumo consciente e intencional de produtos e serviços de negros. A ideia é apoiar empresas que tenham compromissos sólidos com a diversidade. Para disseminar o modelo dentro da comunidade negra, estabelece contato entre consumidores e empresários em várias frentes.

Entre elas, o StartBlack Up, série de encontros realizados entre empreendedores para ajudá-los a aprimorar, iniciar seus negócios e formar redes de relacionamento. Já o Afreektech, braço educacional do projeto, oferece cursos próprios e parcerias focadas em aprendizado tecnológico.

O MBM também criou o D’Black Bank, uma fintech para conectar consumidores e empresários. A maquininha de pagamentos própria, apelidada de “Pretinha”, já está em seis cidades: Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Paulo, Caieiras (SP), e Florianópolis.

Mais do que conhecer startups de impacto social, é necessário apoiá-las!

Conceituar diversidade não conta a história toda. É indissociável à ideia de inclusão. Duas coisas diferentes. Se a diversidade é sobre colocar grupos sociais minorizados na porta, a inclusão é sobre obter um assento igual à mesa. 

A inclusão é, em suma, sobre pertencer, enquanto diversidade é sobre viver e respeitar a pluralidade. Não adianta ligar o sinal de alerta para a diversidade se a busca por inclusão não está no caminho.

Tudo se resume à sua cultura, lugar onde a diversidade encontra a inclusão. E uma forte aliada nessa jornada para uma sociedade mais justa, sem dúvida, é a educação. É necessária a diversidade cognitiva para incluir, uma ampla variedade de antecedentes e experiências para o seu processo de tomada de decisão.

Mais do que conhecer e falar sobre, inclua! Apoie!

Se esse conteúdo sobre startups de impacto social te interessou, não deixe de conferir nosso guia completo sobre como é a Jornada do Empreendedor e se aprofundar ainda mais no assunto!