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Os ensinamentos por trás do fenômeno Melanie Perkins, fundadora do Canva

Os ensinamentos por trás do fenômeno Melanie Perkins, fundadora do Canva

Sumário

Democratizar e simplificar o design. Para tudo tinha sempre uma etapa para concluir. O Canva colocou essencialmente todas as partes do processo e o tornou extremamente acessível, com uma experiência de usuário incrível, quase que metalinguística. A responsável por isso? Melanie Perkins, o cérebro que maquiavelicamente orquestrou simplesmente o que o usuário queria. 

Ter uma base gráfica para conseguir montar sua identidade visual sem depender de softwares licenciados e com uma linguagem de uso mais complicada, que exigia nível técnico. No Canva as coisas são modulares e você transforma layouts de forma extremamente intuitiva. É uma solução mega profissional? Não. Mas ajuda muito na construção de quem realmente não tem base visual e quer dar uma atenção nisso.

São nesses detalhes e nessas pessoas que queremos pegar. Aqueles que querem fazer algo com o que tem em mãos e que não param, sabem que é um passo de cada vez, uma valência de cada vez e seguimos.

Em 2007, Melanie Perkins percebeu que criar e imprimir uma peça, como um flyer – envolvendo composição da arte, formato de arquivo correto, gráfica – parecia oneroso demais para esse Século XXI. Não seria muito melhor fazer tudo em um só lugar com uma ferramenta online?

As associações ocorrem quando o nosso cérebro tenta processar informações em sequência, dando-lhes lógica e coerência. Diante disso, é possível descobrir conexões entre questões que parecem isoladas. Elas são capazes de acionar o pensamento associativo, visto que isso incrementa o seu repertório, de onde podem surgir novas ideias.

A receita da empresa vem do upselling para uma versão premium, que custa US$ 10 por mês, com recursos mais sofisticados de edição e criação, para além de oferecer um banco próprio de imagens. Só que é garantia: você vai poder brincar muito com a versão gratuita. Vai te salvar uma porção de tempo gigantesca.

De lá para cá é história. Melanie tinha apenas 20 anos de idade quando tudo começou. Estudava. Era uma universitária e se arriscou. Dá para se ver nessa situação, não? Hoje tem 34 e uma legião de mais de 20 milhões de usuários, em mais de 190 países, que usam o aplicativo freemium, para projetar e criar absolutamente tudo.

Melanie Perkins, ilhas privadas de Richard Branson e resgate à deriva

Esse post é pertinente porque Melanie tem uma história maravilhosa. Voltemos lá para 2013, nas ilhas privadas de Richard Branson, fundador do Grupo Virgin, onde Perkins praticava kitesurf – que detalhe, nem era sua praia. 

A coisa começou a ficar movimentada ao ponto de Melanie acabar à deriva, depois de se machucar nos arrecifes da região. Foram horas e horas para ser resgatada. No que ela foi se meter?

Melanie Perkins, australiana de Perth, que não tinha interesse nenhum por kitesurf, estava no meio das águas do caribe à deriva. Por que ela estava lá? A resposta é porque se ela simplesmente não estivesse, ela estaria do outro lado do mundo.

Distância geográfica de grandes pólos pode se tornar um baita impeditivo para prosperar. Em termos de investimento mesmo. Pensa o que é vender em Perth e o que é vender no Vale do Silício. E Melanie sabia disso. Já tinha recebido muito “não” na vida.

Mas o destino quis que ela atendesse a um encontro de Venture Capitalists, que dividiam um interesse curioso: o kitesurf. O que nos leva de volta à deriva, machucada pelos corais, perdida nas ilhas privadas de Branson. Uma intempérie no meio do caminho? Sim! Mas aquela se tornou a chave para a estratégia de captação do Canva.

Melanie Perkins: acredite no seu propósito com coragem

Essa questão do “não” foi muito presente na vida de Melanie. Mas ela foi perspicaz. Aprendeu com todos esses “nãos”. Entendeu que falhas, erros de continuidade no meio do percurso, são totalmente inerentes ao processo de amadurecimento. 

Falhar está totalmente ligado a tentar e corrigir rota. Por isso falhe, mas falhe rápido. Porque é com um volume grande de tentativas que a gente vai adquirindo o repertório necessário para aprender uma coisa e outra ali. A não cair nas mesmas armadilhas.

Foi como Melanie refinou o Canva. Uma visão forte, sempre atualizada. Ousada, de alguém que realmente cruzou o mundo para dar certo. Tem uma coisa que precisa ser dita aqui: normalmente quem realmente cruza o mundo com um propósito, é para dar certo. 

Tirando da equação as experiências de viver fora. Falando mesmo de aposta, de entender que é uma oportunidade de entrar no jogo que a galera mais séria está na mesa. Você não cruza o mundo com um propósito e não entrega valor nenhum.

E pra isso requer uma dose gigantesca de coragem. Porque é meio que all-in. Ainda mais quando o recorte dessa matéria é sobre uma empreendedora que na época estava na casa dos seus 20 anos. Sair da Oceania e ir para a Califórnia é chocante. É uma explosão sensorial e de orientação cognitiva totalmente embaralhada, que demora um tempo para você assimilar e compreender como casa, como realidade, como trabalho.

Só que o prazo pede que você entregue o resultado para ontem. E você precisa acelerar. Transições são sempre difíceis, mudanças são sempre difíceis. Mas acreditar em um propósito e ter coragem de bancar até alcançá-lo é a coisa mais nobre que alguém pode fazer enquanto se vira para fazer a manutenção da vida.

Melanie começou assim. Criativa, com um senso estético afinadíssimo e com um conhecimento de experiência do usuário fenomenal, acreditou com coragem. Tome não. Tome mais não. E mais outro não. Até que cruzou o mundo, se encontrou em circunstâncias estranhas, conheceu as pessoas certas e hoje, além de ser bilionária, é uma das mulheres mais influentes do mundo.

Mostra como caminhos tortuosos às vezes reservam surpresas interessantes no seu devido momento. Que o que você esteja fazendo talvez não seja o ideal, mas que esteja te agregando valências. Essas valências vão te tornar uma pessoa mais completa para quando a oportunidade ideal de fato aparecer. Tudo é progresso, tudo é movimento.

O necessário é coragem. Acreditar em um propósito e ter coragem de seguir em frente.

Passar a arrebentação e encontrar o mar calmo e azul

É pertinente incluir na discussão essa entrevista com a Cris Arcangeli, para o canal lá em 2016. São vários os insights, que você pode conferir no vídeo, mas fica aqui o destaque para um.

É exatamente sobre o título dessa seção: passar a arrebentação e encontrar o mar calmo e azul. O que isso significa? Quanto maior é a responsabilidade, quanto maior é a onda, na arrebentação, aquele agito, aquela adrenalina, mas depois que passa, vem a calmaria e o mar azul. Vem um mar de oportunidades para você.

Aquele mar gostoso de nadar. Que foi difícil atravessar por uma onda forte, que te forçou a ir para outra direção. Mas cruzar essa barreira te dá a oportunidade de nadar em um mar calmo e azul de oportunidades. 

Esse é o grande barato da história. Melanie Perkins, quando diz para acreditar no seu propósito com coragem, toma um pré-treino, faz um baita supino, corre todo dia de manhã, pilates a tarde e quando encara uma onda dessas no final do dia, vai de frente com um mergulhão e aproveita a piscina do outro lado da linha.

História de Melanie Perkins mostra que o sucesso é você quem tem que pegar

Quando Melanie se aventura no kitesurf só para entrar na turma e ver aonde aquilo ia dar, ela manda um sinal para o universo. Interprete da maneira que lhe couber, mas quem se expõe às ocasiões que são propícias para acontecer aquilo que deseja, acaba atraindo. Acontecer é ou não é outra história e não existe absolutamente nenhum argumento tangível que possa derrubar uma decisão intangível. 

Mas estar propenso aumenta a probabilidade de algo acontecer. Nessa lógica, o sucesso é algo que você tem que pegar, que correr atrás. Ele não funciona como uma consequência. Ele funciona como fruto de um trabalho e resistência. Muita resistência. Resiliência também, para usar um outro termo. 

Porque é um enfrentamento diário. Principalmente quando você é mais jovem. Existem estruturas que ainda pesam demais na hora de escolher certas coisas. A geração atual do mercado de trabalho ainda é de certa forma pragmática. Mudou muito o comportamento, mas como age em questão de entendimento de segurança e consistência, ainda é pragmática.

A galera que está entrando já tem outro viés. Bem menos pragmatismo. Sabe trafegar por diferentes realidades, porque já nasceu conectado a diferentes realidades, à abundância do mundo digital. Navegar pela ousadia e pelo pragmatismo é um grande dilema, pessoal e profissional, de quem foi criado por quem ainda tinha que formar uma opinião em um contexto de contracultura. Ou muito conservador, ou muito libertário.

Esse enfrentamento diário, de pouquinho em pouquinho, todos os dias, é o que te faz pegar o sucesso. A inovação nada mais é do que o resultado de atividades bem coordenadas – pessoas combinando suas diversas habilidades e interesses para traduzir ideias criativas em soluções reais. O inovador está sempre observando as coisas e tendo insights. Tais observações são o combustível para explorar ideias e novos parâmetros para executar as coisas.

Vivemos em tempos cada vez mais incertos e mais complexos e voláteis. Nesse cenário, faz-se necessária, a todo o momento, nossa capacidade de criar, recriar e cocriar, respondendo ao mundo externo de uma forma mais atenta e sensível.

Criatividade é uma competência – ou seja, está ao alcance de todos e pode ser desenvolvida. Mesmo que você trabalhe majoritariamente com números e com processos objetivos, por exemplo, a criatividade poderá ajudar a dar mais valor à sua entrega no trabalho.

Dessa forma, ser criativo não é um dom nem exclusividade de algumas pessoas. Como competência, todos nascemos com potencial criativo e devemos aperfeiçoá-lo. Além de criar as condições mentais para ter novas ideias, voltamos a bater na tecla que é muito importante que você também se exponha a situações que tragam diferentes formas de pensar. 

A troca é o que enriquece.

Cruze o mundo, só mude de emprego, mas faça tudo por um propósito

A gente acaba entrando em um modus operandi da vida. E é totalmente natural. A maioria das pessoas nem sabem o que é sair do modus operandi. O exercício talvez seja explorar um pouco mais as coisas que afloram sua criatividade e que te deixam com bichinhos de oito patas andando rapidinho pelo seu estômago. É esse lance de propósito, que guiou a Melanie, a Cris e tantos outros nomes do empreendedorismo.

Tem que ter uma provocação. Senão é cair naquela velha opinião formada sobre tudo. Existe sim a condição de que é trabalhar para sobreviver. Mas existe o livre-arbítrio para em qualquer momento livre explorar um hobby que lhe dê prazer, que possa te levar a algum lugar. Sem pressão. Vai leve, vai fazendo, vai entendendo, vai conectando os pontos. Existe espaço sim, para em qualquer condição, explorar algo individual. Existe também um mecanismo que oprime e faz acreditar que você não tem essa condição, mas existe.

Da grande provocação à pequena. De cruzar o mundo, de Perth para o Vale do Silício, para simplesmente mudar de emprego, fazer um curso novo, uma especialização. Vale tudo, mas mire sempre nesses bichinhos de oito patas andando rapidinho no seu estômago. São eles no lugar das borboletas, porque dá uma sensação de coceirinha ainda maior.

Precisamos ter coceirinha, senão não tem graça. Senão não dá para executar as coisas que a gente quer executar na vida. E aí qual o propósito? Passar grande parte do seu tempo aturando um trabalho, em um país caótico, que te faz pedir truco para Jesus Cristo, para desejar colocar o #sextou? É pensar muito pequeno.

É pensar em dois dias da semana. Sábado e domingo. Sexta nem conta porque é só o fim do expediente. Tem que ter a coceirinha. Tem que ter algo que move e que gere valor, que dê tesão e que crie um propósito na sua vida, assim como Melanie Perkins nos mostrou na trajetória dela.

Uma trajetória de muito “não”. E é essa a real mesmo. Acreditar em coisas desse tamanho requer coragem. Escrever um texto que provoca uma reflexão em cima disso é tentar de alguma maneira discutir perspectivas sobre o assunto. Mas a vida real bate na porta e está literalmente cada um sobrevivendo, do jeito que dá.

Todos esses desequilíbrios são pontuados e compreendidos dentro dessa análise. Mas que todo mundo chega em um momento da vida de sonhar – e de ter um ímpeto de correr atrás disso, todo mundo tem. 

Essa coceirinha devia ser menos de 100 metros rasos e mais de maratona.

Se esse conteúdo te interessou, não deixe de conferir nosso guia completo sobre como é a Jornada do Empreendedor e se aprofundar ainda mais no assunto!