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Thiago Ventura

Thiago Ventura: comediante abraça o formato gratuito, explode de público e muda as regras do jogo

Sumário

Aclamado, principalmente, por detalhar sua origem, da quebrada, com uma irreverência daqueles que estão no hall do timing e do humor de palco, Thiago Ventura identifica.  Ele transforma Taboão da Serra, periferia de São Paulo, na casa de todo mundo.. E prova que sinceridade é seu forte. A vida é como ela é. Até mesmo quando roubava roupas de lojas de surfe.

Furtava por furtar, porque queria aquilo, gostava da adrenalina e suas referências indicavam aquele caminho. Foi então que ouviu a seguinte pergunta de um amigo: “Se sua mãe tiver que ir à cadeia porque você roubou uma camiseta, acha que ela vai chorar ou sorrir?”. Tomou um belo choque de realidade e começou a perseguir o que queria. 

Hoje, dono de um canal no YouTube com mais de 5,5 milhões de inscritos, Thiago Ventura é um dos nomes mais influentes do stand up comedy do Brasil. Tem um show no Netflix, que atravessa fronteiras, e já foi citado por celebridades mundiais como Neymar e Lewis Hamilton. 

Conquistou seu público justamente pela linguagem de fácil acesso, lá da sua origem. Conta histórias vividas na quebrada e que viraram piadas, aqueles famosos ”depois que passa, a gente ri”.

Thiago se formou em administração, trabalhou em banco e estudou improvisação teatral no Teatro Escola Macunaíma. No currículo, soma participações em vários festivais, uma legião de seguidores nas redes sociais e três especiais que totalizam mais de 40 milhões de visualizações.

Mas afinal, o que está por trás do fenômeno Thiago Ventura?

Thiago Ventura: o revolucionário da comédia

Thiago se destacou no stand up comedy por entender uma coisa simples e vital para essa galera. Até ali, por volta de 2015, existia uma concepção de que a distribuição gratuita desse tipo de conteúdo entregava de graça algo que fazia parte de um espetáculo para o público.

Mas o digital está aí e as dinâmicas de consumo mudaram drasticamente, não somente, por exemplo, o consumo de notícias, que é o espectro que é mais discutido, mas qualquer mercado que se aventura distribuir conteúdo como equity de vitrine.

Se antes existia uma carta de vendas em que a garantia de boas risadas era pagar para ver depois no espetáculo, com Thiago Ventura essa pessoa ia ao show sabendo qual era o tom, o que aquele humorista propunha. 

Isso, principalmente porque ele passou a entregar de graça parte dos seus textos em seu canal do YouTube, indo na direção contrária ao movimento do mercado e o que era proposto. 

Só para colocar em perspectiva: em janeiro de 2021, a população total do Brasil marcava 213,42 milhões (51% mulheres, 49% homens), com uma idade média de 33,5 anos e uma taxa de urbanização de 87%. 

O país conta com 205,8 milhões de conexões de telefonia móvel, com uma penetração de 97%. Os usuários de Internet são 150,4 milhões (71% da população total), e aumentaram de forma interanual de 2019 a 2020 em 8,5 milhões (+ 6,0%). 

Sobre os usuários ativos de redes sociais, há um total de 140 milhões (penetração de 66%). A tendência no país é evidente, com um aumento de 8,2% (+11 milhões de pessoas) no número de usuários de redes sociais desde abril de 2019 até janeiro de 2020. Por exemplo, há mais de 130 milhões de usuários do Facebook (a terceira maior base de usuários do mundo), mais de 50 milhões no Instagram (a segunda base no planeta) e mais de 120 milhões usando WhatsApp.

Essa penetração, esse alcance, para usar uma carta de vendas que você precisa pagar antes para conferir o que eu tenho para oferecer. Não cabe mais em um mundo que se comunica através de relacionamentos, certo?

Thiago Ventura entendeu isso. E não teve medo de mostrar uma parte como entrada para uma refeição inteira. Revolucionou o mercado todo, que seguiu a tendência e hoje possui uma ampla distribuição de conteúdo no digital. Mudou o patamar de alcance e conversa desses comediantes.

Thiago Ventura acerta em cheio o formato: identificação imediata com o público

Para além de entender um movimento natural do mercado, Thiago Ventura acertou em cheio no formato: usou da identificação para cativar um gigantesco público. E não como recurso, mas como uma virtude que é sua. As pessoas se identificam com o que Thiago fala porque ele é aquilo que mostra, que expressa para o mundo.

Vivemos em tempos cada vez mais incertos (com menos previsibilidade e mais dificuldade de planejar algo com assertividade) e mais complexos e voláteis (o ritmo de nossa sociedade é veloz e as mudanças são mais bruscas do que antigamente).

Nesse cenário, faz-se necessária, a todo o momento, nossa capacidade de criar, recriar e cocriar, respondendo ao mundo externo de uma forma mais atenta e sensível.

Steve Jobs afirmou que criatividade é “conectar coisas”. Ao contrário do que muitos pensam, criatividade não se resume a momentos de insight que simplesmente acontecem com pessoas “iluminadas”. Não é questão de genética ou um comportamento meramente espontâneo. 

Ventura ri sobre empinar pipa e jogar bolinha de gude. Dentro da sua galera, quem não se identifica? Quem é que não cresceu em um bairro do subúrbio de qualquer grande cidade e teve que driblar a fiação para entrar em uma disputa mortal contra outra pipa? É uma delícia ver a forma que ele fala sobre isso.

Thiago é da periferia e é batalhador – e não tem medo nenhum de mostrar quaisquer erros que cometeu pelo meio do caminho. É um ambiente que estimula ao erro e ele narra as ciladas de quem convive com isso de forma magistral, mas a parada é que ele se superou. Ele se torna o exemplo.

Pega a cultura de onde veio e escancara para o mundo. Até chegar no ponto de conseguir tomar as rédeas da sua vida, se aventurou até nos corredores de um banco. Quem não toma caminhos tortuosos para encontrar novas possibilidades na vida? Muita gente certamente já passou por isso em algum momento, ou testemunhou alguém passando. É fator de identificação imediato.

Ele reconhece suas vulnerabilidades, mas, ao mesmo tempo, trabalha sempre para melhorar e evoluir. Não é uma pessoa que culpabiliza, sempre olha para frente. É um pouco do que todos queremos ser. Todos nos identificamos. 

Foi com esse gatilho e com amostras grátis de seus shows, que ele estourou e revolucionou. Cresceu como uma bola de neve. Números viraram consequência. Se tornou um membro integrante dos Quatro Amigos. Como falamos, seu canal do YouTube tem mais de 5,5 milhões de inscritos. No Instagram, são mais de 6 milhões de seguidores.

Do recorte gratuito, aos especiais nas plataformas de streaming

O cenário, a linguagem e as performances vão de passos de dança do Michael Jackson até imitações dos amigos. São atrativos para que o público se sinta próximo da narrativa e, claro, dê muita risada. 

O sucesso de suas pílulas o garantiram espaço suficiente para produzir dois especiais, “Isso é Tudo Que Eu Tenho” (13 milhões de visualizações) e “Só Agradece” (19 milhões de visualizações), também disponíveis gratuitamente no YouTube. 

Só que o vôo maior ainda viria: uma parceria exclusiva com a Netflix, para um novo especial. E a porrada iminente de quem tem um produto genuíno aconteceu: o TOP 1 na plataforma aqui no Brasil e disponibilizado para o mundo todo. Levou Taboão para o mundo todo.

“Sabe quando chega na final de um campeonato, o jogo está dois a dois, você é o goleiro, aí o cara chuta a bola e você, no último lance, defende essa bola e vê todo mundo feliz por sua causa? Foi assim que eu me senti nesses dias. Um goleiro que defendeu um grande pênalti e ajudou a equipe a vencer”, declarou Thiago em uma entrevista ao Correio do Povo.

Como estar atento ao comportamento social e aplicar soluções propositivas

Principalmente depois desse 2020, o digital foi democratizado de vez. Se antes já era utilizado para qualquer tipo de processo que dependesse de qualquer tipo de software que fosse, com a necessidade das pessoas ficarem em suas casas e os estabelecimentos fecharem suas portas, a padaria precisou abrir um canal no WhatsApp.

A Geração Z é uma geração hiper cognitiva, capaz de viver múltiplas realidades, presenciais e digitais. Eles transitam por diversas comunidades, não importa a ideologia. Essa geração já nasceu social. 

Para se ter uma ideia, de acordo com pesquisa da Socialnomics, eles se sentem mais confortáveis em não ter apenas uma única forma de expressar a própria identidade, o que gera mais liberdade e abertura para entender as diferenças de outras pessoas e outras gerações.

É um pessoal ultra conectado, criativo e não está em busca apenas de autoafirmação. São mais práticos que os millennials. Essa combinação é um combustível poderoso para olhar os problemas sob uma nova ótica e gerar soluções para dores que as pessoas nem sabiam que existiam.

Realmente, são nesses pequenos detalhes, que você entende que o digital foi democratizado. Tem o caso do Free Fire, que te permite entrar em um jogo que há muito pouco tempo seria restrito para console ou para um computador com capacidade de processamento razoavelmente alta, em um smartphone de qualquer faixa.

Não acompanhar esse movimento é um erro crítico. De percepção de consumo mesmo. Quando você entende o que está disponível e a forma que as pessoas consomem, você encontra dores – e para toda dor existe uma solução.

Thiago encontrou uma solução para o seu mercado. Um modelo que já estava datado e que precisava de alguém para simplesmente editar um arquivo de vídeo e subir no YouTube.

E mudar as regras do jogo.

Thiago também é um cara lotado de referências. Existe uma fórmula de nascença, que te coloca na cabeça que você precisa cumprir com algumas exigências acadêmicas para ser alguém na vida. Se formar no ensino básico e garantir uma graduação superior. Depois disso você está preparado para enfrentar os desafios. 

Isso quase foge do seu controle. Mas Thiago Ventura, pelas circunstâncias que a vida lhe apresentou, entendeu que aprendizado não é uma responsabilidade atrelada às instituições de ensino, mas sim ao seu livre arbítrio. Tem que funcionar de forma voluntária e proativa. Você está no controle da decisão.

Thiago Ventura mostra que basta uma piada para inovar – e isso é uma verdade absoluta

“Eu faço comédia com o intuito de fazer a quebrada ter uma referência para ‘rir junto’ e não ‘rir de’. Eu não quero ser mais um comediante que dê risada da quebrada, eu quero rir com ela, acho que é isso que faz diferença”, esse é outro trecho da entrevista de Thiago para o Correio do Povo.

Pertinente para o que é a maior virtude de Thiago Ventura: revolucionar microuniversos. É um cara que, por onde passa, agrega ou transforma de alguma maneira. Tem pés no chão, sabe de onde veio e sabe do esforço que foi para conquistar o que conquistou.

As apostas incertas e as reviravoltas que cada ciclo te dá, a partir do momento em que você continua caminhando, sem nunca parar. Sim, você pode acabar em um banco. Mas tire algo de valioso dali, preste atenção em contextos diferentes, junte o que for na bagagem que é o seu repertório de experiências da vida. Tome controle pelo que você quer ensinar e seja um eterno aprendiz.

Thiago Ventura mostra que circunstâncias adversas existem e muitas vezes a gente é levado para um caminho que a gente nem imagina o quanto pode ser importante em uma construção maior. A vida precisa ser entendida de uma forma mais flexível em relação a prazos.

Nada funciona de tão imediato. Essas são as exceções à regra. O resto é construção. Imagina o quanto de aflição que te paralisa, enquanto você faz grandes planos para um intervalo curto de 1 ou 2 anos. Tempo é o tempo e a vida vai mostrar. Prazos mais longos não deveriam ser vistos como intempéries, tanto para entrega de resultados, quanto para você se arrumar.

O que realmente não pode é, diante desse contexto que a gente vive, entender que uma coisa está datada e não fazer nada sobre isso. Estamos munidos de um cardápio tão rico de ferramentas para nos auxiliar. 

Dá para fazer, mesmo que isso signifique cortar um trecho de uma gravação e subir no YouTube. Pode mudar totalmente a percepção das coisas.

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