fbpx
Qual é a maior lição que Steve Jobs nos ensina?

Qual é a maior lição que Steve Jobs nos ensina?

Sumário

Em 1994, Steve Jobs foi entrevistado pela Santa Clara Valley Historical Association. O que saiu dessa entrevista foi no mínimo notável. Steve fala, principalmente, sobre seus valores, compartilha alguns conselhos para empreendedores e suas ideias sobre como viver a vida de uma maneira mais saudável.

A entrevista, na íntegra, está disponível no site Silicon Valley Historical, por US$ 15 (aproximadamente R$ 77, com o dólar a R$ 5,17). São 25 minutos raros de um papo bem sincero de uma das mentes mais brilhantes que passaram por esse mundo.

O próprio canal da associação histórica do Vale do Silício no YouTube disponibilizou um recorte dessa entrevista, que pegamos, traduzimos e fizemos um post, que propomos estender a conversa por aqui e entender de fato qual é a maior lição que Steve Jobs nos ensina.

Confira:

Steve Jobs nos ensina: e se pedíssemos mais por ajuda?

O enredo do recorte da entrevista é simples: Steve Jobs chega a conclusão de que ninguém que tenha chego à algum lugar, fez isso sozinho, sem pedir pela ajuda de alguém. Aos 12 anos, ligou para Bill Hewllet para pedir algumas peças que faltavam para finalizar seus frequencímetros. Além de ter as peças, ganhou um estágio de verão na HP.

O trecho conta essa historinha para chegar de fato nessa tal de conclusão. Steve Jobs sempre que ousou pedir, recebeu uma troca de volta. Seja lá qual fosse essa troca. Mas a questão de externalizar, de propor, de se relacionar, o mostrava alguns caminhos na vida que o possibilitaram chegar onde chegou.

Pedir ajuda está muito relacionado ao orgulho. Depender de algo que parta além da sua jurisdição, significa reconhecer limitações. Isso significa aceitar que não temos todas as respostas ou todas as ferramentas em mãos. 

“Somos feitos de carne, mas temos que viver como se fôssemos de ferro”, já diria Freud. Fingir ter uma força além do que é humano é, perdoe-me o trocadilho, ser desumano consigo mesmo. Sem falar das cobranças externas para fingir ser de ferro, o que só piora a saúde mental e física de quem já faz autocobrança em excesso.

Orgulho é uma coisa que muita gente leva como virtude. E precisa ser desfamiliarizado esse conceito. Orgulho é capaz de te catapultar, de te elevar, de te dar confiança. Mas não de morrer convicto das suas velhas opiniões formadas sobre tudo.

Pedir ajuda é um ato de coragem e humildade. Você coloca um voto de confiança em outra pessoa, para te ajudar com uma questão que precisa ser resolvida. Estabelecemos vínculos e quebramos a couraça desse exato orgulho e de um certo toque de arrogância.

Porque ninguém é melhor do que ninguém.

Quando há troca envolvida, há honestidade. Há empatia. Há virtudes que são mais importantes para um negócio, por exemplo, do que fechar um grande acordo financeiro. Para Steve Jobs, foi o começo de sua propriedade intelectual.

Conscientize-se de todas as influências que o impedem de pedir ajuda, não alimente o medo e principalmente a desconfiança. Atreva-se e confie mais no que as pessoas podem te oferecer. Nem por um interesse mesmo, mais por ali ter rolado uma química, uma troca sincera.

Você não está só, existe um mar de pessoas ao seu redor na mesma situação. É a situação de se expor e se comunicar que mostra efetivamente onde estão as oportunidades.

E se você focasse? Se, como Steve Jobs, entendesse que os pontos que conectam o futuro são justamente os pontos do passado

Rafael Rip é outro personagem que vale demais colocar aqui nessa discussão. Ele é o cara à frente dos Embatucadores, que explora a conquista da autonomia e o desenvolvimento da criatividade através da música. O grupo faz um trabalho em cima da sonoridade de materiais retirados do lixo, imprimindo um jogo teatral de ritmo, melodia e sapateado em suas performances.

Sua trajetória com educação e música começou em 2003, quando montou um projeto voluntário na Brasilândia, com o objetivo de ensinar música em horários extras-aula para jovens da comunidade. Foi justamente nesse momento que talvez venha a grande provocação dessa entrevista: “e se eu focasse?”.

Contextualizando: é normal que professores queiram passar em concurso público aqui no Brasil. Rafael conseguiu passar na Prefeitura e no Estado. Passou bem, tanto que teve direito de escolher a escola que iria lecionar música – e consequentemente, era aí onde estava a oportunidade do dinheiro.

Ele tinha 32 salas. 40 alunos em cada sala. 10 aulas por dia. Essa conta vai para mais de 2 mil alunos, onde te demanda um esforço físico e mental exaustivo todos os dias. É uma estrutura homérica. 

Na rede pública. Onde a gente entende que as questões que acontecem por lá não são discutidas necessariamente pela mídia. Onde o problema do aluno não é mau comportamento por jogar farinha no ventilador. É sair dos eixos, porque convive com sexo explícito dentro de casa, convive naturalmente em um ambiente de drogas. A discussão é outra. 

Imagina ter que equilibrar todos esses pratos? A troco de que? Por um carro melhor? Se a maior parte do dia você passa nesse ambiente distorcido? E é aí que vem a pergunta: “e se eu focasse?”.

Toda a energia que estava sendo gasta para sustentar essa estrutura homérica foi canalizada para um foco: Rafael exonerou, pegou uma turma, de caráter voluntário, e os transformou em profissionais. Passou a mudar vidas através da música.

Abandonou o carro melhor, mas a troco de quê, me diga? Para levá-lo para passar 10 horas em um ambiente que o adoecia? Ou viver como lhe convém e fazer algo que gere propósito? E se nós focásseemos?

E se nós conectássemos pontos do nosso passado, que nos trouxeram aprendizados e repertório, para conectar com pontos do futuro que possuíssem mais foco?

Você precisa analisar o contexto de vida que você está e quais são seus objetivos. Mais do que isso, quais são os caminhos que você precisa trilhar para chegar nesses objetivos. Faça com que seja simples – e não um plano mirabolante. Quanto mais degraus você colocar para atingir sua meta, mais cansativo e distante se torna o processo. 

Precisa ser simples. Simples como pedir ajuda. Simples como focar. Simples como falhar e entender que isso é parte do processo e que você não retrocedeu – você aprendeu como caminhar por um novo percurso.

Aceitar a falha é parte do processo de evolução

Falamos sobre processo criativo para resolução de problemas. Tem tudo a ver com aceitar o fracasso.

O ponto central aqui é entender que falhas, erros de continuidade no meio do percurso, são totalmente inerentes ao processo de amadurecimento. Seja ele de um negócio, pessoal, de um desafio específico. Vai acontecer.

Mas você não pode morrer abraçado nas suas convicções em um mundo que sabemos que nosso tempo é finito. Falhar não é sinônimo de não tentar.

Falhar está totalmente ligado a tentar e corrigir rota. Por isso falhe, mas falhe rápido. Porque é com um volume grande de tentativas que a gente vai adquirindo o repertório necessário para aprender uma coisa e outra ali. A não cair nas mesmas armadilhas.

Isso serve diretamente para uma coceirinha que todo mundo deve ter quando o assunto é pedir ajuda. A rejeição. Realmente, aqui o intuito não é falar que o mundo é cheio de flores e aberto à ajuda sempre que requisitada. “Olha, preciso de R$ 100 mil. Concedido”. 

Não é sobre isso. É sobre se abrir para a possibilidade, porque ela é um ato de coragem. Atos de coragem tendem a atrair oportunidades e coisas boas. Mas lidar com a rejeição é também um processo que está intrínseco ao se expor.

Por isso que é tão importante tentar desmistificar a falha, o fracasso. Vai doer, não tire isso do jogo. E cada um tem seu tempo para processar o que isso significa. Nada mais justo. Mas é uma questão de perspectiva: ou você entende que você deu uma tacada errada e que tudo está perdido, ou você entende que você deu sim também uma tacada errada e agora sabe por onde não errar mais.

De todo fracasso ou conquista vem um aprendizado. Da conquista, os grandes nomes do esporte, como Michael Jordan e Pelé, dizem que é o alívio. Do fracasso, a capacidade da mutação, da reflexão interna, de se olhar um pouco mais analiticamente – hábito que as pessoas deveriam praticar mais.

Rupturas são importantes na vida. Talvez não sejam o que queremos, mas elas sempre nos levam para um novo lugar. E novos lugares sempre são uma oportunidade de fazer as coisas diferentes. Inclusive de pedir ajuda de novo e não ter que lidar com a rejeição.

Ouse. Vença a desconfiança.

Você deve entender que você não precisa sofrer nem sobreviver e, sim, tem o direito à escolha, direito a escolher uma maneira de viver bem primeiramente consigo, com seus limites, com seu tempo, com o que realmente importa para você e com pessoas ao seu redor dispostas a cobrirem tua retaguarda quando for preciso.

Steve Jobs de 12 anos pedindo por peças não era o ícone por detrás do iPhone

Grande Alison Paese, fundador daqui do Foras de Série. Grande Minotauro, lenda do MMA brasileiro. Com uma pressão dessas e uma comparação assim, não tem quem não trema, né não?

É brincadeira, mas fato é que esse tipo de comparação existe em grande parte do mercado. Isso se chama relativização. É colocar as coisas em um plano totalmente superficial e considerar que você e o Steve Jobs estão inseridos nas mesmas condições e construções sociais e culturais, mas você tem em mãos um maquinário técnico muito mais avançado.

Só que foi esse cara que criou parte desse maquinário técnico muito avançado para você poder desempenhar o que se espera ser além do que ele desempenhou. É uma comparação que não tem cabimento.

É comparar em uma análise o atacante com o volante. São posições que não combinam. Para além da superficialidade dessa discussão, muito presente no mercado – e que limita o potencial de inovação nas empresas e no seu corpo de funcionários -, a discussão que a gente levanta aqui sobre qual a grande lição que Steve Jobs nos ensina é simplesmente sobre atitude, sobre se mostrar ao mundo, pedir ajuda e entender que para as coisas funcionarem, é necessária a troca.

Troca de experiências, troca de algum bem, troca pessoal, troca profissional. Troca.

Quando Jobs entende que ele começa a chegar a algum lugar inserindo as pessoas nas suas ideias malucas, ele passa também a receber muita gente que precisa desse tipo de incentivo. Dessa troca. 

Se ele recebeu tanto, por que também não devolver? E talvez esse seja o funcionamento geral da vida, ou como deveria ser: sentimento de gratidão, inserção, estender a mão e pedir ajuda quando necessário.

Se você tem um bloqueio em pedir ajuda, talvez também tenha questões para oferecer, não é uma regra, mas pode acontecer. Tente observar isso e comece a se mostrar disponível para ajudar os outros. Às vezes, um gesto que parece simples para você pode fazer toda a diferença.

Observe as pessoas com as quais convive com mais atenção e irá encontrar meios de oferecer ajuda. Assim, além de naturalizar essa questão internamente, ainda estará incentivando os demais a passarem o gesto adiante.

São de pioneiros que a gente deve se espelhar. Não se equiparar. Uma vez que você aceita a necessidade de ajuda e de fato se abre para outras pessoas, isso muda a forma como você encara o mundo. Como você se relaciona com o mundo e com as pessoas que vivem nele.

Para finalizar, palavras de Barack Obama: “Não tenha medo de fazer perguntas. Não tenha medo de pedir ajuda quando precisar. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, é sinal de força. Mostra que você tem coragem de admitir quando não sabe algo e que quer aprender algo novo”. 

Esse homem teve dois mandatos na presidência dos Estados Unidos. Essa reportagem gira em torno do responsável pela Apple, a vanguardista da modernidade móvel. Acho que dá para aprender uma coisinha ou outra, não?

Se esse conteúdo te interessou, não deixe de conferir nosso guia completo sobre como é a Jornada do Empreendedor e se aprofundar ainda mais no assunto!