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Como abrir um negócio

Guia definitivo sobre como abrir um negócio

Sumário

Ao abrir um negócio é essencial ter cautela e muito planejamento em todas as etapas, desde a criação de uma ideia até a formalização da empresa em si. O processo é difícil e não é à toa que é alto o número de empresas que morrem: segundo o IBGE, menos da metade das empresas abertas no Brasil na última década chegaram a completar cinco anos.

Para tornar esse processo mais fácil e com menos chances de dar errado, neste artigo foram reunidas diversas dicas sobre as principais etapas percorridas ao abrir um negócio. Elas são: como ter uma ideia para abrir um negócio, como desenvolver um plano de negócios, como fazer um planejamento financeiro, como elaborar um MVP e como abrir um negócio formalmente.

Ideias para abrir um negócio: tudo o que você precisa saber 

Ter a ideia para abrir um negócio é uma das partes mais importantes para começar. Afinal, se quiser convencer possíveis sócios a embarcarem com você ou conversar com possíveis clientes sobre a solução, tudo o que terá nesse momento é o conceito do negócio.

Engana-se, no entanto, quem acredita que é preciso ter aquele momento eureca no qual a ideia vem pronta. Se você quer empreender mas não sabe com o que ou já tem uma noção mas não sabe se é uma boa aposta, saiba que é possível desenvolver um conceito promissor do zero. No entanto, antes de abordar como fazer isso é importante definir: o que seria uma boa ideia?

O que é uma boa ideia para abrir um negócio?

Uma boa ideia depende de alguns fatores. Um deles é que ela resolva um problema e outro, que tenha demanda. O Uber é um exemplo clássico de uma solução que resolveu o problema de conseguir caronas de forma prática. Ao mesmo tempo, vender comidas para dietas restritivas em um lugar onde não há essas opções pode solucionar essa falta se houver a demanda.

Por falar em demanda, aqui é importante definir que ter um problema não necessariamente significa ter uma procura para a solução. Oferecer alimentos para dietas restritivas soluciona um problema para um grupo de pessoas. No entanto, se onde você abrir o negócio não tiver pessoas com esse perfil, não há demanda. Logo, o empreendimento tem grandes chances de não dar certo.

Além disso, o negócio tem que ter um diferencial que o destaque dos concorrentes. Existem várias formas de fazer isso, como apostar em um produto mais inovador ou em uma experiência do usuário mais eficaz. Para definir esse diferencial é importante observar os concorrentes e, principalmente, o que eles poderiam melhorar.

Por fim, por mais complexo que seja o negócio, é essencial que o conceito por trás seja simples. Trazendo novamente o exemplo do Uber: ao invés de explicar como funciona o aplicativo e suas diversas modalidades, é possível simplesmente falar que é um aplicativo que conecta motoristas a pessoas que querem se locomover. Dessa forma, fica muito mais fácil de conseguir interessados na sua ideia.

Abaixo, vamos ensinar alguns passos que podem ajudar no processo de elaboração de uma boa ideia.

Ideia para abrir um negócio: como começar

Dificilmente a primeira ideia que você tiver será a melhor, por isso, é bom procurar ter o máximo de ideias possível. Esse exercício não precisa ser maçante: ao invés de se forçar a fazer um brainstorm de poucas horas, prepare um bloco de notas e comece a anotar todas as ideias que surgirem ao longo do tempo. Não se apegue a nenhuma, apenas a anote e deixe para avaliar depois.

Também, é importante se desprender do conceito de uma ideia de negócio, que muitas vezes vem carregado com uma noção de um empreendimento pronto e bem-sucedido. Como já citado, uma boa ideia é onde há oportunidade, por isso, qualquer situação que você vivenciar e perceber que há um problema, tanto como cliente como se trabalha efetivamente com isso, anote também. 

Aqui já fica outra dica: conhecer o mercado no qual você abrirá o negócio é uma das melhores opções, principalmente para poder identificar oportunidades. Afinal, conhecê-lo faz com que você identifique falhas internas mais facilmente e saiba quais são os possíveis concorrentes. Dessa forma, preste atenção à sua experiência em diferentes mercados e procure perceber se há pontos a melhorar e como isso seria possível.

Atenção: ao procurar oportunidades, perceba se você está identificando problemas que realmente existem ou criando novos da sua cabeça. Uma dica bem comum é anotar esses problemas com frases que comecem com “Eu odeio quando”, pois serão incômodos reais seus, como um desabafo.

Filtrando uma boa ideia de negócio

O ideal é que, chegando neste momento, você já tenha uma boa lista de ideias variadas para abrir um negócio. Agora, é hora de filtrar e polir as melhores para só ao final chegar na grande vencedora. Comece selecionando as que você considera mais promissoras ou as que lhe estimulam mais por algum motivo – ficar entusiasmado com a ideia é algo bem importante, afinal será um investimento de longo prazo.

Depois dessa pré-seleção, é hora de virar cada ideia do avesso. Pesquise a fundo sobre cada uma e procure possíveis concorrentes. É quase impossível ter uma ideia totalmente original, por isso procure entender por que o seu viés seria diferente, por que nunca fizeram dessa forma antes e, se já fizeram, se há como melhorar.

A pesquisa não deve se restringir à busca na internet: é preciso conversar também com pessoas que trabalham na área e, principalmente, com clientes potenciais. Aqui você vai perceber a importância de ter uma ideia simples, já que precisará explicar o conceito de forma fácil para as pessoas.

Na pesquisa com pessoas do mercado, procure a opinião sincera delas – como quais os pontos fracos e fortes da sua ideia – e esteja preparado para receber críticas: são a partir delas que você poderá crescer e tornar sua ideia melhor. Também questione sobre concorrentes, o que eles trazem de novo ao mercado e tendências da área.

Com o público-alvo, a conversa é um pouco semelhante, mas com o viés de um cliente. Por isso, foque em perguntar se eles consumiriam o seu produto, o que gostam dele, o que não gostam e o que poderia melhorar. Por fim, pergunte o mesmo mas em relação aos seus concorrentes, é importante saber onde eles estão acertando e errando do ponto de vista do consumidor.

Uma boa ideia para abrir um negócio não é tudo

É importante frisar que uma boa ideia não é garantia de um negócio de sucesso. Ela pode ser sensacional e ajudar a atrair interessados principalmente no começo, mas tudo depende de como ela será posta em prática. Uma ideia mal executada pode por tudo a perder – e trazer muitos problemas financeiros para o empreendedor.

Para evitar esse cenário, o primeiro passo para tirar a ideia do papel é ter um bom plano de negócios.

Plano de negócios do zero: o passo a passo para decolar a sua empresa 

O que é um plano de negócios?

O plano de negócios, como o próprio nome já diz, é um planejamento para o seu negócio. A partir dele, você traçará seus objetivos, estudará o mercado, definirá quais os investimentos necessários e entenderá possíveis cenários para os próximos meses do empreendimento. Basicamente, ele é uma forma de elaborar estratégias e identificar possíveis erros e gargalos antes de pôr os planos em prática.

Por sinal, é importante avisar: um plano de negócios não deve ser feito apenas na hora de tirar a ideia do papel. Apesar de ser lembrado com mais frequência nesse momento, é essencial que ele seja sempre refeito de tempos em tempos para ajudar no crescimento do seu negócio. Afinal, ele também deve ser visto como uma forma de evitar desperdício de tempo e dinheiro – duas coisas valiosíssimas para todo empreendedor.

Plano de negócios: como fazer

Para cumprir o seu propósito de fornecer uma base para o empreendimento, o plano de negócios deve ter seis tópicos principais: sumário executivo, análise de mercado, plano de marketing, plano operacional, plano financeiro e análise final. Confira as informações e dados necessários em cada um deles:

Sumário executivo

É aqui que você vai reunir as informações mais básicas do seu plano de negócios e, como várias delas são desenvolvidas com mais profundidade em outros tópicos, uma dica é deixar essa parte para o final – ou pelo menos as informações que estão mais incertas. Elas são:

  • O que é seu negócio, assim como o diferencial e a missão dele;
  • Breve descrição da equipe, tanto dos empreendedores quanto de funcionários (se houver);
  • Quais os principais produtos e serviços;
  • Quem é o público-alvo;
  • Endereço, se houver uma sede física;
  • Estimativa do investimento total;
  • Forma jurídica (autônomo, MEI, empresário individual ou sociedade) e enquadramento tributário.

Análise de mercado

A análise de mercado levará em conta um estudo aprofundado de quem são os clientes, concorrentes e fornecedores. Para essa parte é interessante conversar com o seu público-alvo para conhecê-lo melhor e entender a visão dele sobre o seu produto, assim como com outros profissionais da área acerca do mercado e dos concorrentes. Também é indispensável realizar uma pesquisa com possíveis fornecedores para entender valores, prazos e qualidade dos serviços.

Nessa parte do seu plano de negócios é preciso já ter definido o seu produto e diferencial com detalhes. O seu negócio optará por produtos ou serviços de qualidade superior ao mercado com preço acima da média? O seu público está disposto a pagar por isso? Ou a aposta será um produto de maior custo benefício? As respostas para essas perguntas ajudarão no próximo tópico: plano de marketing.

Plano de marketing

O plano de marketing é o momento do seu plano de negócios que é focado 100% no seu produto e em como anunciá-lo. Para elaborá-lo, é preciso conhecer seu produto no detalhe, a qualidade dele e quanto ele vale. Confira os principais tópicos para o seu plano de marketing:

  • Descrição dos produtos e serviços;
  • Nível de qualidade e o preço para venda;
  • Principais diferenciais em relação à concorrência;
  • Segmento e tamanho do mercado da empresa;
  • Como o cliente se comporta, onde ele está e como os produtos chegarão até ele;
  • Como serão realizadas as vendas: fisicamente ou online;
  • Como o cliente ficará sabendo do seu produto.

Plano operacional

O importante do plano operacional é focar em como o negócio fará tudo proposto até agora. É a parte que organizará como a empresa funcionará tanto em termos de logística e equipe, quanto também no espaço físico.

Um dos primeiros passos do plano operacional é definir a capacidade instalada, que é o quanto a empresa produz, vende ou presta serviços em um determinado período de tempo. Para essa conta é preciso levar em consideração a produtividade dos funcionários e dos equipamentos assim como disponibilidade dos fornecedores e capacidade de distribuição e armazenamento do negócio.

No plano operacional também é o lugar onde serão detalhados os cargos de todos que trabalham na empresa assim como a disposição espacial do seu negócio. Nesse caso, se for uma loja física, é importante desenhar uma planta baixa indicando como serão distribuídos os produtos, onde ficará o caixa, o estoque e por aí vai.

Plano financeiro

No plano de negócios, o plano financeiro é uma das partes mais importantes, pois é a partir dele que você terá uma noção do investimento total que o negócio demandará. Ele é uma estimativa, mas o ideal é que você faça uma pesquisa aprofundada para o valor se aproximar o máximo possível do real e não ocorrer nenhuma surpresa indesejada.

Como você já deve imaginar, no plano financeiro é preciso levantar o custo de tudo que está dentro do plano de negócio: fornecedores, matéria-prima, equipamentos, funcionários, aluguel de um local, hospedagem de site, campanhas de marketing e mais. Cada um desses valores se encaixa em uma categoria e podemos dividi-los em três: investimentos pré-operacionais, capital de giro e investimentos fixos.

Os investimentos pré-operacionais são todos os gastos feitos antes do negócio começar a funcionar, como reformas, abertura da empresa e registro, compra de domínio e hospedagem para um site, entre outros. Já o capital de giro é o dinheiro que o seu negócio vai precisar para funcionar diariamente – aqui entram compras de mercadorias, fornecedores, salários, marketing e mais. Já os investimentos fixos são as coisas que devem ser compradas para o negócio funcionar normalmente, como equipamentos, máquinas, móveis.

Análise final

A análise final é a parte em que você vai especular sobre diversos cenários que o seu negócio pode enfrentar e como prepará-lo para isso. No caso, é quando você vai por “à prova” o plano de negócios que fez, traçando estratégias e vendo se o seu empreendimento sobreviveria a possíveis crises e imprevistos. É claro que nem todo cenário é possível de prever, como ocorreu com o caso da pandemia do coronavírus, mas quanto mais você se preparar, mais chances o seu negócio tem de dar certo.

Para isso, uma dica importante é: seja um pouco mais pessimista ao traçar o plano de negócios, assim você estará mais preparado para os cenários negativos.

Planejamento financeiro: tudo sobre como organizar as finanças pessoais e empresariais

Na hora de abrir um negócio, o planejamento financeiro do empreendedor é uma das partes mais importantes. O que acontece é que muitos focam somente no plano financeiro para o negócio e esquecem do planejamento financeiro pessoal, que é igualmente valioso. Afinal, quando um empreendedor abre uma empresa, é capaz que seu salário seja instável ou até inexistente, se não houver uma boa estratégia.

Se você já fez um plano de negócios, deve ter uma boa noção dos custos gerais e investimento total que o seu empreendimento precisará. Caso contrário, se você ainda não tiver feito um, confira nossas dicas de como fazer um plano de negócios, pois será essencial para esta etapa.

A seguir vamos aprofundar sobre planejamento financeiro pessoal e empresarial para o empreendedor, assim como cuidados muito importantes que ele deve tomar ao mexer com o seu dinheiro e o dinheiro da empresa.

Planejamento financeiro: o diagnóstico

Antes de tudo, é preciso fazer um estudo dos gastos e ganhos da empresa e outro dos seus gastos pessoais por mês. O ideal é fazer uma tabela para cada um e ser bem minucioso quanto aos valores, não deixando nada de fora.

No caso dos gastos pessoais, por exemplo, é imprescindível colocar todos os gastos mensais, desde supermercado até escola de filhos, como também aqueles que podem pesar no bolso uma vez por ano mas que já são esperados, como compra de material escolar e impostos como IPTU e IPVA.

A partir desse estudo, já é possível ter uma boa noção dos seus gastos e dos da empresa. Aqui é uma boa oportunidade para avaliar se não há despesas que podem ser diminuídas ou cortadas. No caso da empresa, será que é preciso comprar equipamentos ou é possível alugá-los? Já no pessoal, será que não há muitos gastos desnecessários? Tenha sempre em mente que abrir uma empresa deve exigir um controle maior sobre as suas finanças.

Retiradas e pró-labore no planejamento financeiro

O que muita gente esquece quando abre um negócio é que o lucro da empresa deve ser usado ou para investir em alguma melhoria ou para ser guardado em alguma reserva financeira do empreendimento. Em outras palavras, ele não é o salário do empreendedor, pelo contrário: esse salário deve fazer parte dos gastos da empresa.

Dessa forma, antes de fazer um plano de negócios é preciso definir o seu salário, também conhecido como pró-labore, e é aqui que entra o passo anterior. Com o estudo dos seus gastos mensais e das despesas e lucro estimado da empresa, o ideal é que você chegue em um valor equilibrado. Em outras palavras, que ele não prejudique o seu negócio, mas que ao mesmo tempo seja o suficiente para cobrir suas necessidades com folga.

Separação: como facilitar o planejamento financeiro empresarial e pessoal

Tanto para o planejamento financeiro pessoal quanto para o empresarial, ter contas bancárias separadas é altamente recomendado. Apesar de não ser algo obrigatório por lei, separá-las facilita muito na hora de organizar as finanças. Afinal, não é necessário verificar cada um dos gastos ou correr o risco de você se confundir e pagar um almoço com o lucro do negócio, por exemplo.

Por sinal, pagar contas pessoais com o dinheiro da empresa é um erro bem comum, mas que pode ser fatal para o empreendimento. O problema está na desorganização das finanças da empresa, que pode acarretar em uma interpretação errada do seu sucesso. No caso, pode-se assumir, por exemplo, que a empresa não é lucrativa, quando na verdade os gastos que estão misturados.

Aqui vale comentar também sobre despesas diversas que podem se misturar, mas não deveriam. Se você precisar utilizar o seu carro pessoal para prestar serviços para a empresa, isso deve ser abatido das contas da empresa. Isso também vale para telefonemas, internet e outros gastos. O contrário também vale: se utilizar algo da empresa para uso pessoal, deve pagar a ela ou abater o equivalente diretamente do pró-labore.

Além de facilitar na organização, separar as contas tem benefícios fiscais. Com contas separadas, torna-se muito mais fácil comprovar o faturamento da empresa, assim como fazer a declaração do Imposto de Renda. Caso contrário, seria necessário ficar procurando os gastos pessoais e empresariais em um único extrato. 

Empréstimo e planejamento financeiro

Se o planejamento financeiro não está fechando, talvez seja hora de considerar procurar ajuda. Ao contrário do que muitos pensam, pegar um empréstimo é algo que pode ser muito positivo se feito com planejamento e atenção. É por isso que, antes de considerar essa opção, certifique-se que todos os cálculos que você fez estimando os investimentos totais estão corretos e se eles se aproximam ao máximo da realidade.

Se for realmente necessário, saiba que alguns serviços têm taxas muito mais baixas para pessoas jurídicas e o empréstimo é um deles. Antes de contratar, estude bem o valor necessário, assim como os juros, as parcelas e se as condições são viáveis – lembre-se que tudo deverá entrar no planejamento financeiro empresarial, assim como no seu plano de negócios.

Reservas financeiras

Independente de empréstimos, é indispensável tanto o negócio quanto o empreendedor ter uma reserva financeira. Basicamente, ela é aquele dinheiro extra que fica guardado para acontecimentos não planejados. Por sinal, ela não é diferente das outras contas: o negócio tem que ter a própria reserva e o empreendedor a dele e nada de misturar!

Para o empreendimento, uma reserva financeira é essencial para cobrir gastos inesperados ou para investir no crescimento da empresa, comprando equipamentos novos, por exemplo. Ao mesmo tempo, ter uma reserva faz com que o negócio possa resistir a crises financeiras do mercado com impactos minimizados.

Já no caso pessoal, é sempre indicado ter uma reserva de emergência caso algum imprevisto ocorra. Nesse caso, o valor indicado corresponde de 6 a 12 meses de despesas. Assim, caso o seu negócio não dê certo, você não fica totalmente desamparado e ainda tem um dinheiro para ajudá-lo a se manter, tendo mais tranquilidade para voltar para o mercado de trabalho ou para investir em outro empreendimento.

Tudo sobre MVP: o que é, sua importância e como fazer

O que é MVP?

MVP é a sigla para Minimum Viable Product, que em português é traduzido como Produto Mínimo Viável. Mais conhecido no mundo das startups, esse método pode ser útil em qualquer área do empreendedorismo, pois trata de uma versão simplificada do produto final do seu negócio. Resumidamente, ele é usado para testar, de forma barata e rápida, se a solução pensada de fato funciona e se ela se encaixa no mercado e nas necessidades do público.

Importância do MVP

A ideia por trás do teste do MVP é simples: evitar gastar muito tempo e recursos em uma solução que não cumpre o seu papel ou que pode ser aperfeiçoada. No entanto, é importante não confundir MVP com protótipos ou com uma parte da solução, pois ele deve trazer a ideia do negócio completa para o cliente.

Para ficar mais claro, um exemplo conhecido é o do Groupon. Ao invés dos seus fundadores elaborarem o site com todas as funcionalidades que conhecemos hoje, tudo começou com um blog. Nele, as pessoas se inscreviam e recebiam por e-mail um PDF com vários descontos de lojas diferentes e, se não tivesse um cupom que o cliente quisesse, os empreendedores corriam para conseguir. O sucesso do MVP provou que a ideia de um lugar que reunisse cupons de desconto tinha um público interessado e que era rentável.

Esse exemplo é muito bom, pois deixa claro que no caso do MVP o importante é testar se a sua ideia tem mercado de forma rápida e sem grandes investimentos. Por sinal, apesar de ele ser mais comumente usado por negócios que estão começando, o MVP pode ser elaborado em qualquer fase de uma empresa exatamente pela velocidade de resultados e baixo custo. No caso, é muito comum grandes negócios fazerem esses testes antes de lançar um novo produto, por exemplo.

Outro ponto muito valioso do produto mínimo viável é que como ele é uma forma simplificada da sua solução, é uma etapa consideravelmente mais fácil para fazer mudanças no negócio se preciso. É muito comum que na fase do MVP os empreendedores façam alterações na solução ou que mudem totalmente o rumo do negócio por encontrarem outra proposta de valor mais interessante.

MVP: como fazer

Existem várias formas de fazer um MVP, mas é interessante que todas sigam pelo menos quatro passos: conhecer o cliente e o problema, definir o objetivo e a estratégia, validar a proposta e aprender com o processo.

Conhecer bem o cliente e o problema

Como o MVP é aplicado em potenciais clientes, é importante que o empreendedor conheça muito bem o seu público. Uma forma de fazer isso é conversando ou entrevistando-os acerca do problema que o seu negócio quer resolver e da solução inicial.

Pesquisas com o público-alvo são um passo muito valioso para o negócio, pois é muito comum que nelas ocorram descobertas relevantes acerca do problema ou, inclusive, que os entrevistados dêem insights inesperados sobre o produto. Para ter esse efeito positivo, é preciso que o empreendedor esteja aberto a receber críticas e feedbacks para realizar mudanças no projeto se achar necessário. Mas atenção: nem sempre as sugestões de um cliente serão sensacionais e saber diferenciar as boas das ruins é um dos desafios dessa etapa.

Definir o objetivo e a estratégia

O MVP pode servir para testar uma ideia, mas também uma funcionalidade nova, o mercado e muito mais. Além disso, ele não precisa se restringir a testar uma variável por vez, mas pode avaliar várias ao mesmo tempo. É importante, no entanto, definir exatamente quais precisam ser validadas antes de elaborar uma estratégia.

Uma vez decidido qual o objetivo do teste, é hora de traçar um plano para chegar aos resultados desejados. É possível começar com uma entrevista, seguida de um teste com o MVP do produto. O empreendedor também pode optar por um teste A/B e depois uma conversa para entender as escolhas do cliente. Tudo dependerá do que será testado!

Por isso, nessa parte é recomendado estudar metodologias de validação, pois é preciso ter certeza de que o MVP levará a conclusões verdadeiras sobre o negócio. Aqui vale um alerta: ao desenvolver o produto mínimo viável e aplicá-lo, é preciso tomar muito cuidado para não influenciar o seu cliente e enviesar a opinião dele de alguma forma. Isso pode comprometer todo o teste e fazer com que o processo seja comprometido.

Validar a proposta

A validação da proposta é a parte do MVP em que são realizados os testes com o público-alvo. Nela, é imprescindível que o empreendedor preste atenção nos mínimos detalhes de como o cliente reage ao teste: se teve algum momento que ele não entendeu, se ele utilizou o MVP de outra forma além da esperada, entre outros.

Depois do teste, não deixe de conversar com o seu cliente para entender o que ele achou, tanto de pontos positivos quanto negativos. É nesse momento que novos insights sobre o produto podem surgir!

Aprender com o processo

O MVP não vale nada se o empreendedor não estiver 100% aberto a ouvir seus clientes e mudar o produto ou ideia se preciso. Todo o processo deve ser focado em levar o negócio para a melhor direção de forma rápida e com baixo custo. Por isso, o foco deve ser aprender o máximo possível.

Se durante a validação o empreendedor perceber que precisa mudar de rumo, é importante fazê-lo o quanto antes. Dependendo do tamanho da mudança, será necessário começar do zero. De qualquer forma, uma nova ideia pede um novo MVP até que o produto seja validado por completo ou tenha somente pequenos detalhes para ajustar.

Além disso, como já citado, o MVP é uma ferramenta para sempre ser posta em prática, independente do tamanho ou momento do negócio. Não são poucas as empresas já consolidadas que fazem testes desse tipo antes de lançar um novo produto ou funcionalidade no mercado. O importante é economizar tempo e dinheiro e ter a liberdade de fazer mudanças rapidamente.

Passo a passo de como abrir um negócio formalmente sem erros!

Abrir um negócio envolve diversas etapas: desenvolver a ideia, fazer o plano de negócios, o planejamento financeiro, por em prática o MVP… No entanto, sem a formalização da empresa todos esses processos não passam de conceitos.

Apesar de não ser a parte mais empolgante do processo e contar com muitas burocracias, é sem dúvida uma das mais importantes para seu empreendimento. Afinal, é só a partir dessa etapa que o negócio passa a existir de fato e pode começar a funcionar a pleno vapor.

Como abrir um negócio: o tipo da empresa

Os tipos de empresas baseiam-se principalmente a partir dos modelos de sociedade e atividades. No Brasil, são quatro os principais, eles são: Microempreendedor Individual (MEI), Empresário Individual, Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI) e Sociedade Limitada. Confira abaixo uma descrição resumida de cada um:

Microempreendedor Individual: é focado em profissionais autônomos e foi criado com o objetivo de regularizar trabalhadores que atuavam sem registro. Uma das principais restrições é a receita anual máxima, que deve ser de R$ 81.000,00.

Empresário Individual: é um profissional que atua por conta própria e que tem uma empresa em seu nome. Isso significa que se ele contrair alguma dívida pela empresa, seus bens pessoais estão atrelados a ela. Diferente do MEI, ele não tem um limite de faturamento anual.

Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI): é um formato que só permite a presença de um sócio e exige capital social (valor da empresa) de no mínimo 100 vezes o salário mínimo. Diferente do Empresário Individual, os bens pessoais do empreendedor não estão atrelados à empresa.

Sociedade Limitada: exige no mínimo dois sócios e também conta com a separação jurídica dos bens pessoais dos da empresa.

Qual o porte do negócio e sua importância

O porte das empresas classifica cada uma de acordo com o seu tamanho, o que vai influenciar diretamente na forma de tributação dela. Quando se fala em abrir um negócio, há duas opções de porte mais acessíveis:

Microempresa (ME): empresas com faturamento anual de até R$ 360 mil, podem optar pela tributação pelo Simples Nacional.

Empresa de Pequeno Porte (EPP): empresas com faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 3,6 milhões, podem optar pela tributação pelo Simples Nacional.

Regime tributário: como escolher para abrir um negócio

Com exceção do MEI, que tem uma tributação própria por meio de um imposto mensal fixo (o DAS-MEI), o resto das empresas podem optar por três formas de regime tributário: o Simples Nacional, o Lucro Presumido e o Lucro Real.

Simples Nacional: é a forma mais simples e vantajosa, já que os impostos são recolhidos por uma única guia (o DAS – Documento de Arrecadação do Simples Nacional) e por também contar com alíquotas menores. No entanto, só é uma opção para empresas que faturam até R$ 4,8 milhões por ano.

Lucro Presumido: nele, cada imposto – PIS, COFINS, IRPJ, CSLL, IPI, se for indústria, ICMS e ou ISS – é calculado e pago individualmente. Cada um conta com uma porcentagem fixa, determinada pelo governo, sobre o faturamento da empresa.

Lucro Real: mais recomendado para indústrias, a empresa é obrigada a comprovar os gastos e rendimentos todo mês e os impostos são calculados de acordo com o lucro obtido (receitas menos despesas).

Como abrir um negócio ME ou EPP

A parte burocrática para abrir uma ME ou uma EPP é praticamente igual e tem várias etapas, podendo contar com pequenas variações, dependendo de onde o processo será feito. Confira abaixo os principais passos para abrir de fato o seu negócio.

Antes de tudo, é preciso ir atrás do Registro na Junta Comercial da cidade onde fica a sede da empresa. Nesta etapa é preciso levar diversos documentos, por isso informe-se bem quais são eles.

Uma vez concluída essa parte, o empreendedor receberá o Número de Identificação do Registro da Empresa (NIRE), com o qual será possível tirar, junto à Receita Federal, o CNPJ da empresa. Por sinal, durante esse processo será necessário escolher o ramo de atuação do negócio. São muitas as opções, mas é preciso prestar atenção já que é um dado que será usado na tributação e fiscalização. Outra escolha a ser feita é a do regime tributário, citado acima.

O próximo passo é a realização da Inscrição Estadual ou do Registro Municipal. A principal diferença entre as duas é que a primeira é obrigatória apenas para os negócios que têm como atividade fim a produção ou venda de bens. Já a segunda é para empresas que prestam serviços. Em algumas localidades esse registro pode ficar pronto assim que é feito o processo na Junta Comercial.

Por fim, é preciso solicitar a expedição do alvará de funcionamento na prefeitura da cidade e, dependendo do negócio, repetir o processo para outros alvarás em diferentes secretarias do município, como a da Saúde.

Últimos detalhes: Nota Fiscal e Previdência Social

Depois de completar todos os passos acima, a sua empresa já pode começar a funcionar dentro da lei. No entanto, é imprescindível liberar a emissão de notas fiscais para realizar a venda de produtos e prestação de serviços e, em caso de contratação de funcionários, cadastrar a empresa na Previdência Social.

Nota Fiscal

Para sua empresa poder emitir nota fiscal, é necessário da autorização do governo. Aqui, depende do seu negócio: se você é prestador de serviços, precisa fazer a solicitação na prefeitura da cidade. Já se a empresa é do ramo comercial, industrial ou de transporte intermunicipal e interestadual e de comunicação, a autorização deve ser feita na Secretaria da Fazenda do estado em que a empresa está registrada.

Previdência Social

Esse passo, como já citado, é focado para negócios que desejam realizar a contratação de funcionários, já que a empresa precisa se responsabilizar pelas obrigações trabalhistas. Lembrando a partir de um funcionário contratado na empresa, incluindo os sócios, já é necessário o cadastro.

Para realizá-lo, é preciso ir até a Previdência Social em uma Agência da Previdência. O prazo para realizar esse processo é de 30 dias após o início das atividades da empresa.

Conclusão

Abrir um negócio é uma verdadeira jornada que exige muita disciplina e organização por parte do empreendedor. Apesar de todos os processos serem muito trabalhosos, desde a ideação até a formalização, empreender é uma experiência única. Ela é um ensinamento constante sobre gestão de um negócio, pesquisas de mercado, estratégias de marketing, mas não só.

Além dos aprendizados ao longo do caminho, ter sua própria empresa traz uma liberdade e satisfação que dificilmente outro trabalho é capaz. Por isso, se você seguiu os passos citados neste artigo e acredita no potencial da sua proposta, não perca tempo: organize-se e abra seu próprio negócio!